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Vídeo mostra situação dos Povos Indígenas no Vale do Javari

04/05/2012 | Maria Emerenciana Raia

No Vale do Javari, município de Atalaia do Norte, estado do Amazonas, fronteira com o Peru, mais de quatro mil indígenas de diversas etnias são vítimas de doenças como hepatite, malária e gripe, além de sofrer assédios dos madeireiros e do narcotráfico. O Conselho Indigenista Missionário - CIMI Norte 1 produziu um vídeo em parceria com a TV UFAM, da Universidade Federal do Amazonas retratando o descaso dos órgãos públicos para com os Povos Indígenas da região.

Assista ao vídeo e apoie esta causa.

  

 

Fonte: CIMI Norte1/TV UFAM

Semana da Cidadania e Cúpula dos Povos

 "É a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis".

 

 

Juventude e Saúde Alimentar é o tema proposto pela Semana da Cidadania (SdC) para este ano de 2012, uma excelente oportunidade para que não só a juventude, mas toda a sociedade faça a reflexão e o debate da importância dos alimentos em nossas vidas, e se atentem para como estes alimentos são produzidos e chegam até as mesas. O Brasil é um dos países que lidera as estatísticas da produção de alimentos, mas nem todos tem acesso a estes, mesmo sendo um direito garantido pela Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º. Ainda utilizando a temática proposta para a SdC 2012, entendemos o protagonismo dos movimentos sociais na garantia desse direito. Colocarmos em pauta a segurança alimentar e nutricional é retomar um primeiro princípio neste debate: o direito à alimentação adequada e de qualidade.

 

Muitos problemas sociais decorrem da relação da produção de alimentos (no Brasil e no mundo). Vivemos em um sistema econômico violento que supervaloriza o consumo, a tecnologia e a centralização dos mesmos. Tal problemática se dá pela desigual relação entre quem produz e quem consome. Vivemos uma crise dos excessos, mas ainda assim, é grande o número de pessoas que morrem de fome no mundo, o que representaria uma contradição, pois morrer de fome nos remete à ideia de escassez, porém sabemos que não é essa a lógica. Não nos falta alimentos no mundo, falta é a distribuição dos mesmos. A lógica da produção de alimentos mundialmente está presa à lógica do sistema capitalista. Sobretudo, com o advento da biotecnologia, as corporações do setor investem na produção de grãos geneticamente modificados, em alimentos sintéticos que não se tem estudos que comprovem os reais riscos ou benefícios para o organismo humano. Ainda assim, tentam justificar que os investimentos nesta área visam justamente suprir a demanda crescente de alimentos no mundo. 

 

À época da Revolução Verde (década de 1970), foi difundida a ideia de que os alimentos precisam ser incrementados de insumos (defensivos e agroquímicos) que fizeram aumentar consideravelmente a produção de alimentos e a disparidade entre o acesso a esta produção também se agravou. Gerando assim, alimentos que comprometem a saúde. A humanidade deixou de consumir produtos que eram garantia de saúde para entrar na era das comidas rápidas. Hoje, uma gama de doenças relacionadas aos alimentos faz esta lógica ser freada e volta-se ao consumo de produtos orgânicos. Aqueles que sempre foram cultivados pelos camponeses e que visam de fato suprimir a necessidade básica humana e não segue a lógica do mercado.

 

Juntamente com a SdC, a PJ insere-se na construção da Cúpula dos Povos, na Rio+20 por justiça social e ambiental. Queremos neste espaço também pautar nossos gritos por um basta às falsas soluções ambientais, há uma governança sustentável que nos tem sido apresentadas, como o "Capitalismo Verde" que tenta utilizar falsamente o nome "Economia Verde" para continuar visando o lucro e deixando a vida das juventudes e de todos os povos ausentes deste direito humano primordial as necessidades e dignidades humanas.

 

Com a SdC e a inserção da PJ na Cúpula dos Povos , debateremos não só a temática da garantia de alimentação digna, como outros temas relacionados à vida e a garantia de direitos a juventude, como o direito aos territórios, à água, à educação, entre outros. A Pastoral da Juventude entra em mais uma ciranda, pela vida da juventude, a vida dos povos, a vida da nossa Mãe Terra. Nesso sonho da Civilização do Amor queremos possibilitar o enfrentamento da pobreza e das desigualdades sociais, contribuindo para o reestabecimento das relações de igualdade, que são bases que tem o direito no centro, para o Bem-Viver de todos/as. 

 

"O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio. Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Por fim talvez, e apesar de tudo, sejamos irmãos. Uma coisa sabemos, e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus. Hoje pensais que Ele é só vosso, tal como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho. Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Também os brancos acabarão um dia talvez mais cedo do que todas as outras tribos."

 

Fonte/Autor: Deisy Rocha (CN Nordeste 3), Paula Grassi (CN Sul 3), Daniel Arrebola (GT Ajuri) e Alessandra Miranda de Souza

Casaldáliga fala sobre juventude e Reino


Dom Pedro Casaldáliga fala aos romeiros na Romaria dos Mártires da Caminhada


24/03/2012: 32 anos do martírio de Dom Oscar Romero: um profeta que não temeu as ameaças de morte

Frei Gilvander Luís Moreira
Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor no Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA/BH e no Seminário da Arquidiocese de Mariana, MG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina
Adital

"Se me matam, ressuscitarei na luta do povo salvadorenho!"

Estive em El Salvador, de 13 a 17/04/2009 participando de um Encontro de Justiça de Paz (e integridade de toda a Criação) da Ordem dos Carmelitas. Tive o sentimento que ao pisar em solo salvadorenho, o Deus da vida cochichava nos meus ouvidos: "Tire as sandálias, pois estás pisando em um lugar sagrado." Assim foram os 5 dias que lá estive. Voltei ao Brasil profundamente marcado. Nunca vi uma terra tão banhada pelo sangue dos mártires.

Fotos de El Salvador. Eu, frei Gilvander L. Moreira, partilho com você a emoção de uma visita.

Leia o texto na íntegra.

Batalha contra a mineração e as hidrelétricas faz a terceira vítima fatal

Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital

O jovem indígena Franklin Javilla, da comunidade de Chichica, foi baleado pela Polícia em 5 de fevereiro durante manifestação em Tolé contra a instalação de hidrelétricas e projetos de mineração na Comarca Ngöbe Buglé. Ele faleceu na noite da última terça-feira (20), no Hospital Ricardo Fábrega, de Santiago de Veraguas, quando passava por uma cirurgia para amputar a perna baleada.

A morte do indígena acontece em meio à aprovação do projeto que regularizará as concessões mineiras e hídricas no país, ocorrida ontem (22). Após 45 dias de muitos embates, o Projeto de Lei 415 modificará o código mineiro, cancelando-os na Comarca Ngöbe Buglé. Por outro lado, os projetos hidrelétricos continuarão sendo executados sem nenhuma proteção aos territórios indígenas, o que desagradou aos indígenas e geraram várias mobilizações.

Franklin foi o terceiro indígena morto em Chiriquí e áreas próximas no marco da luta contra a mineração e as hidrelétricas na Comarca. Os indígenas também denunciam o falecimento de Jerónimo Rodríguez Tugrí e Mauricio Méndez.

Atenção médica era um dos pontos exigidos pelos indígenas Ngöbe Buglé para retomar o diálogo com o Governo. Após conseguir esta demanda, que foi registrada no Pacto de San Lorenzo, Franklin e outros feridos durante as manifestações de fevereiro foram levados para hospitais e receberam atendimento médico.

Para mostrar todo o descontentamento com a morte do jovem e com o desrespeito aos direitos territoriais dos Ngöbe Buglé, um grupo de indígenas decidiu entrar em greve de fome. A decisão também é uma forma de mostrar repúdio à violação dos direitos das mulheres e pedir a defesa dos direitos da juventude. Os indígenas não pretendem deixar a greve de fome até que a vitória de seu povo seja sacramentada e proclamam "morte ou nossa terra livre de mineração e hidrelétrica".

Ainda ontem (22), Dia Mundial da Água, uma manifestação saiu pelas ruas de Santiago de Veraguas a fim de deixar uma mensagem de defesa dos recursos naturais do Panamá e em especial do rio Santa Maria, onde serão instalados seis projetos hidrelétricos. Também foi uma oportunidade para denunciar as violações aos direitos humanos dos indígenas e dos defensores/as do meio ambiente durante os protestos realizados em fevereiro.

A batalha indígena que segue por quase dois meses reivindica a suspensão da construção da hidrelétrica de Barro Blanco, o cancelamento de outras três mega obras programadas para serem executadas em território indígena, a criação de um Regime Especial para a Proteção dos Recursos Minerais, Hídricos e Ambientais destes povos, a proibição de que no futuro a Comarca Ngöbe Buglé possa sediar empreendimentos mineiros e hidrelétricos e a garantia de consultas livres e prévias quando se cogitar realizar projetos de infraestrutura em territórios Ngöbe Buglé.

Com informações de agências